quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Musicanto Sulamericano

Eu sou missioneiro, digo isto sempre com orgulho, sou natural da velha São Luiz Gonzaga, criado no Passo da Tigra, município de Garruchos, então tenho no sangue e na criação, por natureza, o DNA da pesca, do contrabando, da fé cega, e da aversão a divisão política, não consigo crer que haja diferenças entre um brasileiro de Garruchos e um argentino de Garruchinho, que é como chamamos o Homônimo vilarejo do outro lado do Rio Uruguai, lá no meu noroeste sagrado, ou que haja como saber distingüir um Santanense de um Riverense. É por isso que eu bendigo com todo o coração o carater agregador e universalista desse grande festival que teremos em dezembro, o Musicanto Sulamericano de Nativismo.
Por ser da região missioneira e ter sido criado, relativamente, próximo a Santa Rosa, cresci junto com o Musicanto, quando pequeno, eu, de origem campeira , não compreendia por que colocavam em um mesmo festival, mineiros, tocantinenses, nordestinos e paulistas entre outros nacionais, juntos com gaúchos. Já os argentinos eu não estranhava tanto, devido ao costume com a fronteira, mas ainda ssim achava que era uma invensão meio sem critérios definidos. Hoje após tantos anos de estrada festivaleira, sei da grandeza da idéia que ali frutificou, sei que é maravilhoso poder ver a nossa música soando junto com as demais, ver a variação de sotaques que a nossa América do sul e o nosso Brasil possuem, ver a qualidade que todos temos e ao final reconhecer a personalidade única de cada povo e o quanto somos farinha do mesmo saco.
Definitivamente o Musicanto é um evento cultural, não muda suas caracteristicas, não cede aos modismos, que fizeram, quase todos os eventos clonarem uns aos outros, por apelo popular etc...
Ano passado estive lá, tive a honra de sagrar-me vencedor da melhor poesia, com uma das minhas raras composições em espanhol( De la Tierra Mia), neste ano não sei se vou ser selecionado, mas seria uma alegria se novamente eu pudesse estar lá, com meus irmãos, de latinidade. Vida longa ao universalismo, que brinda quem tem raiz verdadeira.
Obs. hoje já são cinco dias do mes de novembro, eu já sei que classifiquei uma música na vigésima quarta edição do musicanto, só pra ilustrar, o ano passado estive lá com um chamamé em espanhol, este ano estou com um samba bem brasileiro, fiz os dois com o coração e o musicanto nos dá oportunidade de atribuir vários sotaques aos nossos sentimentos. Todos que me acompanham, sabem que é bem mais fácil pra mim compor um chamamé do que fazer um samba, apesar de ser do Brasil, mas o fato é que essa brasilidade falou por mim em dois mil e dez e através da voz de Alana Moraes, e do violão de sete de Gabriel Selvage, com as percussões do Zé e do mestre Sandro Cartier eu estarei no palco iluminado do festival mais agregador da América do Sul. Valeu!
Angelo Franco.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Buenas e m'espalho


Buenas indiada! To de volta neste blog "véio" pra avisar que domingo de manhã( dia sete de novembro), bem cedo, estaremos com o "Buenas" no programa Galpão Crioulo, que foi gravado ao vivo, direto de Pelotas. Eu tenho muito orgulho de fazer parte deste projeto e também de me considerar integrante da família Galpão Crioulo, programa esse que há muitos anos é um dos fortins de resistência da cultura gaúcha. É cedo , eu sei, mas quem sabe de chegada da festa ainda da pra olhar, dormidos ou não acho que vale a pena. Vamos conferir. Valeu!
Ah! da pra ver o reprise na TV COM la pelas 10h.

Angelo Franco

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Renascimento

Estou utilizando a palavra renascimento pra definir o retorno de alguns importantes festivais do estado, dos quais tenho tido a honra de participar. Festivais esses que, sem dúvida nenhuma, por questões políticas e financeiras, haviam interrompido seus ciclos de existência. Eu já havia participado dos referidos eventos nas suas primeiras fases de vida, talvez por isso tenha ficado, de fato, muito feliz pelas retomadas de trabalho cultural, nessas cidades que tanto contribuem pra afirmação da identidade gaúcha. Parabéns jaguarí (Grito), Veranópolis( Serra, Campo e Cantiga) e Carazinho( Seara), parabéns ACOFEM. Ah! eu ainda tenho dado sorte, premiei em todos eles, com músicas de variados colegas, que me convidaram a participar deste Renascer, ou Reviver como se designa o projeto.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Manoca do Canto Gaúcho

Realizou-se no final de semana passado, a "Manoca" em Santa Cruz do sul, eu estive lá. Tive a oportunidade de fazer uma apresentação, ao lado dos meus irmãos do projeto Buenas e M'espalho, apresentação essa que contou com a energia de sempre e uma aceitação maravilhosa do público, também subi ao palco como concorrente, defendendo, na qualidade de intérprete uma parceria minha com meu amigo Gujo teixeira ( Romance do espinho brabo), música essa que sagrou-se como melhor poesia, ainda como instrumentista, estive em outras duas composições, Instintos ( de Erlom péricles e Zeca Alvez ) e A Flor e o Espinho ( tema de Zé Renato Daudt e Leonardo Almeida ) com a qual conquistamos o terceiro lugar.
A Manoca me deixou marcas importantes, por possibilitar-me o reencontro artístico, com dois amigos de longa data, o velho "Bugio" ( Leonardo Almeida ) e o grande violonista Miguel Azambuja ( Fompa ), reencontro esse que abrandou um pouco da saudade e reavivou nossa incondicional amizade. Outra lembrança que, sem dúvida, vou guardar pra sempre no coração, é a receptividade do povo e o esforço digno dos organizadores, na feitura de um evento, fruto da boa vontade e do suor, nada mais. Gracias aos amigos de Santa Cruz, pelo que vivi naquela terra, nos dias 28 e 29 de agosto de 2010. Valeu!

Angelo Franco

Cantar é...

Há uma reflexão, que me parece importante, em relação a nossa caminhada artística, que é a maneira com que devemos nos portar, diante das dificuldades inerentes a todos os movimentos culturais, de um país em desenvolvimento. Somos cantores, músicos, nos consideramos artistas, isto é certo, mas as perguntas que devem nortear as nossas consciências são as seguintes: Estamos, de fato, estabelecendo uma troca com o dom que recebemos? Estamos fazendo a nossa parte, para que os eventos culturais se perpetuem?
Essas perguntas parecem, "lugar comum", mas percebo uma confusão, pelo menos no meio do qual faço parte, no que diz respeito a profissionalismo e doação. Acho que o universo nativista, vem crescendo positivamente no aspecto profissional, temos músicos de alta qualidade, com formação e talento, porém, também percebo um distanciamento desses integrantes, do germem inicial, ou seja, do espírito que criou esse manancial de atitudes criativas, ou esse mercado de trabalho, que ajuda muito no sustento dos nossos estômagos e da nossa raiz.
Sei que a música, para nós é o mais importante, e é por isso que peço do fundo do coração, aos meus colegas, para que olhem dentro de si e nunca deixem o mecanicismo tomar conta das suas inspirações. Temos que sobreviver, precisamos de bons palcos, boa remuneração e dignidade artística, mas antes disso tudo, vem a razão maior da arte, que é a paixão. Se não somos crentes no que fazemos, como algo nobre e relevante, que não o façamos. Vamos trabalhar para que o meio nativista cresça, em corpo e espírito, vamos fazer também a nossa parte, para que essa árvore engrosse o tronco, nos dando frutos mais doces, tão doces quanto aqueles que julgamos merecer.
" Cantar é mover o dom do fundo de uma paixão".

Angelo Franco

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Convocação

Estamos vivenciando uma época, de inúmeras demonstrações públicas de amor ao nosso Rio Grande, não são raros os momentos, onde o povo sem prévia combinação emociona-se e começa a entoar o Hino Riograndense. Seja nos jogos da dupla grenal, numa solenidade comum, até nos bares, após alguns litros de cerveja a gauchada demonstra seu patriotismo. Por isso é que me ocorre de convocar esse espirito patriota, para que ele reivindique mais espaço na mídia para a cultura regional e principalmente, para que esse sentimento esteja presente na hora do consumo. Que consumamos mais literatura e musica gaucha, pois sou consciente, de que temos uma grande diversidade de autores e estilos, além de qualidade para todos os níveis de apreciação crítica.

Vamos conferir nossos autores indiada! Angelo Franco

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Estirpe


Meu filho leva o nome do meu pai,
que levava os nomes dos meus bisavós,
velha mania de guardar a identidade
e essa saudade de quem veio antes de nós...


Que pais e filhos, colorados e tricolores, façam de cada dia, um dia de amor e paz ,onde a família seja o presente maior.
Dale colorado! Angelo Franco e João Vicente.